segunda-feira, 23 de junho de 2014

Paralelo: Copa do Mundo 2014 e os principais embates políticos históricos que envolveram alguns países - Por Cristiane Lopes*

Chegamos a última rodada na fase de grupos da Copa do Mundo de 2014, para muitos esta já é a melhor copa de todos os tempos, foi também intitulada como “a copa das copas”, principalmente pelos grandes jogos, goleadas e surpresas apresentadas até agora.

Além de todo o brilhantismo habitual do futebol a copa nos leva ainda a relembrar confrontos políticos históricos que envolvem muitos países, em especial os países dos grupos B, D, E, G e H. Agora vamos abordar alguns deles.

Compartilhe no Facebook


O grupo B é composto por Austrália, Chile, Espanha e Holanda. Exceto pela Austrália, os outros países estão historicamente ligados à Espanha, que colonizou ambos, no país chileno os espanhóis comandaram de 1520 a 1818, ano que marca a independência do Chile.

Já a história dos espanhóis com a Holanda dá-se em dois momentos: o primeiro foi durante a Guerra dos Oitenta anos ou Revolta Holandesa (1568-1648) onde os holandeses deixaram de ser feudo espanhol e conseguiram sua autonomia; o segundo é marcado pela entrada dos holandeses na Expansão Marítima, isso ocorreu devido à preocupação da Espanha em relação a suas colônias na América, a chamada América Espanhola.


A Expansão Marítima levou a Holanda ao grupo das potências no século XVI e consequentemente a busca por territórios na América do Sul, o fato de terem chegado tardiamente nas disputas territoriais, os interesses econômicos e as rusgas com a Espanha (na época Portugal estava sob o domínio espanhol) influenciou diretamente os holandeses a invadir Salvador e Recife.

No grupo D só se fala em Costa Rica, a grande surpresa da copa, completando o grupo temos a Inglaterra, Itália e o Uruguai. Historicamente o destaque é para Inglaterra e Itália, ambas desempenharam papéis importantes nas duas guerras mundiais, na Primeira Guerra a Itália abandonou a tríplice aliança (Alemanha-Itália e Áustria) para apoiar a tríplice entente (França, Inglaterra e Rússia) devido às promessas territoriais que recebeu.

Já na Segunda Guerra, a Itália formou junto com Alemanha e Japão as potências do Eixo que duelaram diretamente com EUA, Reino Unido e URSS, a potência dos Aliados. Apesar de saírem derrotadas da Segunda Guerra, as potências do Eixo deixaram uma mancha negra no mundo, pois o confronto com os Aliados trouxe perdas humanas, mudanças econômicas, territoriais e políticas.

Pelo grupo E destaca-se a França, que chegou tardiamente ao grupo dos países que participaram da Expansão Marítima, pois no início do século XV os franceses ainda estavam envolvidos na Guerra dos Cem anos. Depois desse episódio os franceses passaram a buscar novos territórios e não concordavam com a divisão estabelecida por Espanha e Portugal no Tratado de Tordesilhas, por isso invadiram o Rio de Janeiro em 1555 e posteriormente o Maranhão em 1594.

Alemanha, EUA, Gana e Portugal estão no grupo G, alemães e americanos tiveram participação crucial na Primeira e na Segunda Guerra Mundial, em ambas estavam em grupos rivais e os EUA foram decisivos para derrotar os grupos no qual a Alemanha estava. Já Portugal foi o país que colonizou o Brasil, destruiu nossa mata atlântica, exterminou e aculturou milhares de índios, escravizou os negros e só passou a investir no Brasil quando precisou fugir de Portugal em 1808.

E no grupo H temos como principal destaque histórico-político a Rússia, que assim como Alemanha, Estados Unidos e Itália, os russos também estiveram envolvidos nas duas Guerras Mundiais, sendo que tiveram que retirar-se da Primeira Guerra em 1917 devido a Revolução Russa. Após o fim da Segunda Guerra Mundial tivemos o início da Guerra Fria que marcou ideologicamente o embate entre o bloco capitalista comandado pelos EUA e o bloco socialista comandado pela URSS.

A fase de grupos da Copa do Mundo de 2014 já entrou para história pelo ótimo futebol apresentado, viradas de placar espetaculares e a enorme quantidade de gols marcados. Estamos presenciando uma copa onde além do brilhantismo do futebol temos ainda a mística de confrontos políticos que, de certa forma, entram em campo com os jogadores, pois defender seu país é acima de tudo defender sua história.
_________________________
*Cristiane Lopes é acadêmica de Pedagogia na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), campus de Bacabal.

LEIA MAIS artigos escritos por Cristiane Lopes:
Mais um "aeroepisódio" do fantástico mundo de Dilma Rousseff
Pronunciamento de Dilma pelo Dia do Trabalhador: discurso normal ou campanha política antecipada?
Políticos fazem a festa “made in censura” para comemorar os 50 anos do Regime Militar
Ainda há um pouco do período Pré-histórico nas concepções da população atual
O brasileiro e a sina de ser craque em driblar as mazelas sociais


COMENTE ESTA NOTÍCIA COM SEU PERFIL DO FACEBOOK OU SE PREFERIR, MAIS ABAIXO COM SEU PERFIL DO GOOGLE/BLOGGER - REGRAS: Não é permitido comentário sem identificação. Comentários feitos com conta Fake ou conta do Google do tipo Unknow (Desconhecido) não serão publicados. Todos os comentários são moderados previamente, por isso, não repita o mesmo comentário, pois ele só vai aparecer aqui após aprovação. Comentários com acusações e/ou palavras de baixo calão também serão imediatamente deletados e, se for o caso, o perfil pode até ser banido e não mais permitido que publique nenhum comentário. Também não é permitido comentário com nenhum tipo de publicidade.

0 comentários: