domingo, 23 de março de 2014

O brasileiro e a sina de ser craque em driblar as mazelas sociais - Por Cristiane Lopes

A presença da violência nas favelas do Rio de Janeiro não é considerada novidade, entretanto ela tem diminuído gradativamente após a criação das UPPs Sociais (Unidades de Polícia Pacificadora). Logicamente o processo de ocupação dos morros pelas UPPs não é simples, há embate entre policiais e criminosos das favelas e quem mais sofre com isso é a população que habita os morros, pois estão expostas aos tiroteios, onde diversas vezes são atingidos por balas perdidas.

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A UPP Foi uma estratégia criada pela prefeitura do Rio de Janeiro para promover o processo de pacificação, desenvolvimento urbano, social e econômico das favelas. Alguns morros foram ocupados pela polícia militar, como: Complexo do Alemão, Morro do Turano, Santa Marta e da Mangueira.

Nos últimos meses policiais foram assassinados por traficantes em algumas favelas consideradas pacificadas, porém um caso tem alarmado os brasileiros, foi no Morro da Congonha, domingo (16), onde três policiais participavam de uma ação que culminou na morte da auxiliar de serviços gerais Cláudia Silva Ferreira, de 38 anos.


Até este ponto poderíamos encarar como mais uma vítima na lista de cidadãos mortos acidentalmente em confrontos da polícia nas favelas do Rio de Janeiro. No entanto, surgiu a versão que Cláudia foi baleada por PMs, e até o momento não há uma explicação por parte da polícia sobre o motivo da troca de tiros que ocorreu domingo no Morro da Congonha.

Se já não fosse o bastante, após ser baleada, Cláudia foi levada pelos PM’s no porta-malas da viatura até o hospital mais próximo, mas, eis que no meio do caminho o porta-malas abriu, ela ficou pendurada pela roupa e foi arrastada por 350 km.

Pois bem, pode ter sido um equívoco, o porta-malas abriu acidentalmente e ela ficou pendurada pela roupa. Assim poderia ser admissível. Poderia...

O que revoltou a todos foi a maneira como os PM’s jogaram ,isso mesmo, jogaram a mulher de volta ao porta-malas, como se ela fosse um lixo ou algo sem importância. Não tiveram ao menos o cuidado de acomodá-la no banco traseiro da viatura, apenas largaram-na de volta ao porta-malas sem um pingo de humanismo.

A função da Polícia Militar é garantir segurança, ordem e lei ao seu âmbito de trabalho, e não tratar seres humanos como lixo, isto não está enquadrado nas funções impostas a eles.

O que esperar de pessoas que deveriam garantir segurança a todos, mas simplesmente tratam com desdém uma pessoa baleada e que não pode ao menos se defender?

Vivemos em um mundo onde só os mais fortes sobrevivem, temos que driblar os impostos, o desemprego, a violência, a falta de políticas públicas em relação à saúde, educação e infraestrutura, e a partir deste acontecimento com Cláudia, ficou nítido que agora temos que driblar/nos defender até da polícia.

É tanto drible que não seria difícil sermos convocados para compor o elenco da seleção brasileira na copa do mundo de 2014, afinal, estamos craques em driblar as mazelas sociais do nosso país.
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*Cristiane Lopes é acadêmica de Pedagogia na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), campus de Bacabal.

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