sexta-feira, 14 de junho de 2013

Silêncio no BacaBAR (Bacabal) - Crônica de Edgar Moreno*

A música tocava mansa e silenciosa num dos tantos bares da cidade. E não tão longe dali se ouvia a seguinte explanação: Em sentido simples o SOM pode ser definido como a evidência de ruídos, vozes ou batuques em forma ritmada ou não. Do cair de uma folha ao estrondo de uma bomba atômica ou de um pequeno inseto em repouso a um megashow dos Beatles ocorre a propagação de ondas sonoras pelo ambiente, às vezes imperceptíveis aos nossos humanos ouvidos.

Compartilhe no Facebook


A ausência do SOM caracteriza o SILÊNCIO, que, na prática, não existe em absoluto, pois mesmo em corpos em repouso a ciência há de encontrar vestígios de efeito sonoro, já que o som é um elemento coexistente na natureza desde sua gênese. O homem, entretanto, tem, ao longo dos tempos, contribuído sobremaneira para a saturação dos sons no meio ambiente. É o que ocorre, sobretudo, nos centros urbanos, que por império dos hábitos, da necessidade ou da diversão, nossos tímpanos são diariamente postos à prova das agressões auditivas de buzinas e sirenes, barulhos de fábricas e maquinários, baladas, festas diversas, linguagens, sinais e ruídos de variados timbres e alturas.

É curioso ver o quanto a música exerce larga influência em nossos jovens e em toda a sociedade. Quem nunca demonstrou preferência por esse ou aquele estilo? Essa ou aquela música? Esse cantor ou aquela banda? Vestígios encontrados em cavernas do que seriam instrumentos musicais comprovam a intimidade do homem com a música desde a Pré-história, numa união cada dia mais sólida. Assim, o sublime canto dos pássaros foi se transformando numa parafernália urbana; as clássicas sinfonias em haps, mixs, “dancinha essa e aquela”, shows, micaretas e nos potentes paredões.

Os bailes vesperais cederam lugar às baladas e ao funk suburbano. O silêncio da meia-noite foi sendo quebrado pelos ecos da vida noturna, num convite implícito à banalização da ordem social, da violência e dos bons costumes. Estava lançado o convite à desarmonia sonora, ao conflito entre vizinhos, ao desassossego público. Era preciso avaliar a questão, criar leis disciplinares à poluição sonora, às noitadas e o sossego público. Vieram então algumas leis, dentre as quais a ”Lei do silêncio”, para disciplinar sobre o uso do som, festas e fatos similares. Era o contra-ataque do decibelímetro.

Após anos de aprovada e, sem nenhuma regulamentação em Bacabal, ou BacaBAR, a lei vem causar entre nós uma grande algazarra em sua aplicação martelada pela promotora Clycia Menezes.

Nunca se tinha visto jovens da noite, donos de bares e agentes de sons e publicidade tão juntos e misturados, com suas faixas de protesto e ansiosos pelo início da sessão da Câmara. A cidade toda a questionar a atitude “drástica” da promotora em determinar o horário até para “os santos baixarem e subirem” nos terreiros de umbanda, enquanto a jurista, de forma incisiva disse apenas estar aplicando a lei em vigor desde 1998.

Nos segmentos da imprensa, uns a acatar que a “Lei não se discute, se cumpre” para outros a “Lei e a promotora deveriam ser mais flexíveis”. E o povo? Também a “favor” e “contra”. A favor do som mais baixo, duma cidade mais quieta e menos violenta, mais disciplinada em suas festas, bares e paredões. Contra a apreensão dos equipamentos dos pais de família; contra os prejuízos e transtornos a trabalhadores do som e das festas; contra a “intolerância” da promotora.

E assim segue a vida bacabalense, como a Lei manda. A Câmara votando “in continenti” um provisório Código de Postura e a cidade toda num clima mais calmo.

O que se tira disso tudo? É que alto ou baixo, som e homem continuarão amigos inseparáveis. Coisa difícil é agradar ao povo. Mas, sobretudo que, um país só terá ordem quando seu povo for educado e se educar para tal. Resta-nos curtir a música suave e o silêncio do nosso BacaBAR.
________________________________
*Edgar Moreno é o pseudônimo de Costa Filho, membro da Academia Bacabalense de Letras.

CADASTRE SEU WHATSAPP PARA RECEBER AVISOS DE NOVAS POSTAGENS
Clique aqui para se cadastrar (link só funciona pelo celular, vai abrir uma conversa no WhatsApp)


CADASTRE SEU E-MAIL PARA RECEBER AVISOS DE NOVAS POSTAGENS
Preencha seu e-mail abaixo, em seguida acesse seu e-mail e procure na sua caixa de entrada ou lixo/spam uma mensagem com o assunto Activate your Email Subscription to: Nova postagem no Castro Digital, abra e clique no link de confirmação.



COMENTE ESTA NOTÍCIA COM SEU PERFIL DO FACEBOOK OU SE PREFERIR, MAIS ABAIXO COM SEU PERFIL DO GOOGLE/BLOGGER - REGRAS: Os comentários devem ser relacionados com o assunto da matéria. Não é permitido comentário sem identificação. Comentários feitos com conta Fake ou conta do Google do tipo Unknow (Desconhecido) não serão publicados. Todos os comentários são moderados previamente, por isso, não repita o mesmo comentário, pois ele só vai aparecer aqui após aprovação. Comentários com acusações e/ou palavras de baixo calão também serão imediatamente deletados e, se for o caso, o perfil pode até ser banido e não mais permitido que publique nenhum comentário. Também não é permitido comentário com nenhum tipo de publicidade.

0 comentários: