sábado, 20 de junho de 2009

Barragem do Flores terá mesmo destino da Barragem de Algodões?

A inundação que cobriu de água 90% do município de Trizidela do Vale, no Maranhão, poderia ter sido minimizada se a Barragem do Rio das Flores, na altura de Joselândia, estivesse boas condições. Segundo o engenheiro Francisco José Albuquerque, integrante da comissão multidisciplinar formada pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) do Maranhão para estudar a interferência das barragens na cheia do estado, a comporta da barragem não funcionou, aumentando o volume de água despejada no Rio Mearim.
- Se o principal instrumento da barragem não funciona, ela não cumpre seu papel, que é o de evitar enchentes. Se não funciona, a água vai estourar em algum lugar. Está tudo deteriorado. Há solapamento e desmoronamento nas paredes. É uma cadeia de irresponsabilidade das autoridades, a população está órfã - diz Albuquerque.

A Barragem de Flores não é a única do Maranhão a apresentar problemas. Albuquerque diz que as comportas não funcionam também na Barragem de Pericumã, no município de Pinheiro, e nem mesmo a Barragem de Bacanga, em São Luís, está em condições adequadas.
- Os técnicos dos órgãos responsáveis fazem inspeção sobrevoando as áreas de helicóptero. De lá de cima, não enxergam - ironiza.
O Maranhão foi o estado do Nordeste que mais sofreu com inundações este ano. Segundo balanço na Secretaria Nacional de Defesa Civil, 112.233 pessoas ficaram desalojados e 52.657 estão desabrigados, dependendo exclusivamente de abrigos públicos. Na região de Trizidela do Vale, foram inundadas as cidades de Pedreiras, Bacabal, Vitória do Mearim e Arari.

Albuquerque afirma que a Barragem de Flores foi feita principalmente para conter o rio e evitar enchentes. Se a chuva é muita, o sangramento da barragem tem de fazer com que a força e o curso d'água não atinjam as comunidades. A barragem não se rompeu, mas, para o Crea, o risco existe e a falta de manutenção pode gerar uma tragédia como a ocorrida do Piauí, onde a Barragem de Algodões 1 se rompeu, fazendo desaparecer do mapa pelo menos 10 comunidades.

Segundo o engenheiro, pelo menos 12 municípios estão na área diretamente afetada por Flores, construída há quase 30 anos e com capacidade para 1 bilhão e 400 milhões de metros cúbicos d'água. O Rio das Flores é o maior afluente do Mearim e sua vazão chega a 300 metros cúbicos por segundo.

Lúcio Macedo, também integrante da comissão do Crea, lembra que esta foi a segunda maior cheia da história da região, atrás apenas da cheia de 1974. Segundo ele, a barragem de Flores tem 30 metros de altura e a lâmina d'água ultrapassou o limite em um metro.

Macedo explica que não foi a água da sangria da Barragem das Flores que atingiu a região de Trizidela, já que o sangramento só começou depois da inundação na cidade. O problema, diz ele, é de macrodrenagem e a região precisa da construção de mais barragens para afastar o risco de enchente.

Professor da universidade estadual do Maranhão, Macedo lembra que desde a década de 90, quando foi extinto o antigo Departamento Nacional de Obras de Saneamento, que muitas barragens estão em situação de abandono. O atual DNOCS - Departamento Nacional de Obras contra a Seca, como o nome diz, cuida principalmente dos reservatórios destinados a acumular água para abastecimento das cidades ou de projetos de irrigação. As barragens erguidas para outros fins ficaram sob responsabilidade dos governos estaduais ou de prefeituras.

Além de estarem mal conservadas, as barragens se aproximaram das comunidades. O crescimento populacional e a pobreza levaram à ocupação até mesmo de áreas de proteção do espelho d'água.
- Cerca de 600 a 700 pessoas moram na área de maior risco da barragem de Flores - diz o professor.
Feita de concreto, com eclusas, a Barragem de Pericumã foi construída em 1982 e seu objetivo é abastecer e irrigar a área do entorno da cidade de Pinheiros. Ali, a água do mar entrava no rio, e era preciso evitar a salinização. Macedo afirma que a situação só não é pior porque a Prefeitura atua.
"A Barragem do Pericumã está largada. Se não fosse a Prefeitura, ao longo dos anos, dar uma manutenção paliativa, não sei o que seria. Ela precisa de uma reforma desde 88 praticamente, quando foi inaugurada - discursou o deputado Victor Mendes, do PV do Maranhão, no plenário da Assembleia, em maio passado.
Até mesmo a capital maranhense tem área de risco vinculada à barragem de Bacanga, que fica no início da BR-135, ligando o centro da cidade ao Porto do Itaqui.

Segundo Macedo, o reservatório de 14 milhões de metros cúbicos d'água tem três comportas, mas só uma delas funciona. Neste ano, suas águas inundaram os bairros de Saviana e Jambeiro e 600 famílias tiveram de ser remanejadas. A parede da barragem, de 8 metros de altura, serve de passagem para os veículos sobre o Rio Bacanga e leva ao distrito industrial da cidade e ao campus da Universidade Estadual do Maranhão.
- É um risco permanente dentro da cidade - afirma o especialista
Para o professor, a inoperância das barragens não só gera risco na época de cheia, como trazem prejuízo social e econômico.
- Se elas ficam inoperantes, os usos deixam parte da população sem renda. Essas barragens têm finalidade social, de permitir pequenas lavouras agrícolas e a criação de peixes. Há uma perda econômica muito grande - diz ele.
Hoje, três bairros de São Luís são atingidos por enchentes por conta da má operação de Bacanga. Um acidente, porém, pode levar a água a invadir 50 bairros da cidade.

Fonte: O Globo.

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Um comentário:

  1. que legal da sua parte,em mostrar as belezas do seu lugar.
    valeu,
    ate mais.

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