domingo, 22 de fevereiro de 2015

Trote universitário: brincadeira ou tortura? - Por Welyson Lima*

Um dos momentos mais importantes na vida de uma pessoa é quando ela ingressa no ensino superior. Muitas vezes, são anos de tentativas e muito estudo... Quando se é aprovado, a felicidade irradia, uma conquista alcançada, início de uma nova fase na vida, que deveria ser marcada pelo aprendizado, pelas novas amizades e pelo preparado para uma carreira profissional de sucesso! Mas... Não é bem por aí que as coisas estão se encaminhando...

Compartilhe no Facebook


Já é comum nas universidades, quer sejam públicas, quer sejam privadas, uma espécie de ritual, que recebe popularmente o nome “trote.” Inicialmente era tido como uma forma de dá “as boas vindas” aos primeiranistas ou calouros, isto é, aos novos alunos universitários e até foi entendido por muito tempo como uma mera brincadeira. No entanto, recentemente o “trote” recebe uma conotação negativa em virtude do que está por trás desse que deveria ser realmente uma maneira de dizer: “Sejam bem vindos”!



Há 10 anos, o trote, entendido também como “uma maneira de festejar a chegada à faculdade’, vem se mostrando cada vez mais violento no Brasil. Podemos citar de forma sintetizada os seguintes casos de violência de toda ordem sofridos pelos ingressantes: Corte de cabelo, chicotadas, humilhações, tapas, xingamentos, cuspe no rosto, ameaças, estupro, ingestão de bebidas alcoólicas e até mesmo casos mais graves como envenenamento. Esses atos agressivos são comumente praticados pelos alunos “veteranos’, ou seja, os alunos mais velhos naquelas instituições.

E isso nos parece ainda mais sério do que possamos imaginar, pois há ainda no Brasil muitas instituições que concebem isso como parte da recepção de candidatos aprovados no vestibular, e neste caso, o “trote” não parte somente da iniciativa dos próprios alunos veteranos, mas é praticado como se fizesse parte da “cultura” da instituição, recebendo o apoio até mesmo de professores, funcionários e ex-alunos. Lamentavelmente isso faz parte de nossa realidade!

Há motivo para aceitarmos que “trotes” continuem acontecendo? Certamente não há! As consequências desse tipo de comportamento agressivo são irreversíveis àqueles que se tornam vítimas. Em alguns casos, outros problemas bem mais sérios que a agressão física, podem aparecer, deixando marcas na vida desses jovens, tais como depressão e medo. No entanto, há universidades que adotaram medidas de segurança, tais quais: livretos informativos, cartazes espalhados nos murais com alertas sobre a proibição de trotes, disque denúncia e fiscalização de seguranças treinados e até cinegrafistas capacitados para a situação, mas infelizmente nem todas ainda fizeram isso.

A Universidade é lugar onde se deve aprender e aplicar princípios éticos e de moral não só dentro como fora da mesma, construir senso crítico e reflexivo diante dos fatos sociais, adquirindo espírito acadêmico e científico e não servir de espaço onde se possa praticar ato criminoso, como é o trote, pois este pode ser considerado um crime de tortura, uma violação aos direitos humanos. Esperamos que essas práticas criminosas possam ser banidas por completo das instituições brasileiras de ensino superior, tendo em vista não ser necessário mais esse tipo de “boas vindas”!

*Welyson Lima é acadêmico de Letras na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Campus Bacabal.

COMENTE ESTA NOTÍCIA COM SEU PERFIL DO FACEBOOK OU SE PREFERIR, MAIS ABAIXO COM SEU PERFIL DO GOOGLE/BLOGGER - REGRAS: Não é permitido comentário sem identificação. Comentários feitos com conta Fake ou conta do Google do tipo Unknow (Desconhecido) não serão publicados. Todos os comentários são moderados previamente, por isso, não repita o mesmo comentário, pois ele só vai aparecer aqui após aprovação. Comentários com acusações e/ou palavras de baixo calão também serão imediatamente deletados e, se for o caso, o perfil pode até ser banido e não mais permitido que publique nenhum comentário. Também não é permitido comentário com nenhum tipo de publicidade.

0 comentários: