quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Práticas políticas sórdidas, influência religiosa e piadas infames: eis o resumo das eleições 2014 - Por Cristiane Lopes*

O dia 05 de outubro está chegando, mesmo não sendo religiosa, digo GRAÇAS A DEUS!! Digo por causa dos seguintes motivos: as práticas imundas utilizadas nas campanhas, o uso escandaloso da religião como cabo eleitoral e as piadas infames que podemos formar devido aos acontecimentos folclóricos que os candidatos proporcionam.

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Tínhamos um cenário político histórico, uma eleição presidencial disputada por duas mulheres com todo um contexto novo. Mas... Eis que os métodos inóspitos da nossa política vieram à tona.

O PT com receio de amargar uma derrota e consequentemente perder seu poderio passou a fazer marketing terrorista, isso mesmo, TERRORISTA! Eles estão fazendo uma campanha apelidada de “política do medo”, utilizam frases que levam a população a sentir receio de optar por outro candidato, as frases preferidas são:

- Eles vão acabar com Bolsa família;
- Eles vão acabar com todos os programas sociais;
- Eles vão flexibilizar as leis da CLT;
- Eles não vão utilizar corretamente o Pré-sal.


Além de garantir os votos de seus eleitores fieis, é também uma forma de amedrontar parte desses eleitores que se identificam com a história de vida da presidenciável Marina Silva, eles provavelmente faziam parte dos números notáveis que a ex-senadora tinha no início da corrida presidencial. Porém, após o uso da “política do medo”, muitos eleitores ficaram inseguros e já temos Dilma disparada nas pesquisas e Aécio, antes tido como espectador na corrida presidencial, agora com chances reais de ir para o segundo turno.

Nas disputas para governador o cenário é quase semelhante, mas vem acompanhada de uma vertente que beira a baixaria, em diversos estados a “política do medo” tem sido usada, a veiculação se dá por meio de emissoras que na sua maioria são de propriedade de algum candidato ou de um medalhão que o apoia, Maranhão e Pará são exemplos disso.

É comum vermos o uso de expressões religiosas em meios às frases proferidas pelos candidatos, muitos dizem: “tenho fé em Deus que vamos vencer esta eleição” ou “sou uma pessoa temente a Deus e ele nos guiará no mandato”. Os políticos sabem da importância que a religião tem na vida dos brasileiros, por isso a utilizam com veemência e fazem questão de enfatizar que são religiosos.

A religião é um fator preponderante nas campanhas, pois, aparentemente, a maioria do povo brasileiro ainda não está preparado para votar num candidato ateu, por exemplo. É como se um candidato sem apego religioso ou simplesmente ateu não pudesse governar um estado ou o país.

A importância da religião é tamanha que forçou Dilma a pedir apoio a Edir Macedo, já que a população evangélica tem o poder de decidir os rumos de uma votação, além disso, ela deu a entender que Marina é uma evangélica radical e que isso atrapalharia um possível mandato, pois ela costuma consultar a bíblia para guiar suas decisões. Aécio faz questão de enfatizar que é católico praticante, pastor Everaldo é evangélico e se diz o candidato que irá lutar pela “família tradicional”, já Luciana Genro tornou-se a exceção quando assumiu durante um debate na TV Aparecida não ser uma pessoa religiosa.

Além das práticas utilizadas nestas eleições e da influência religiosa, não poderia faltar comédia... Afinal, aqui é Brasil, logo tudo acaba em piada. A nota triste é que a maioria dessas piadas são deprimentes e envergonham ao invés de causar risos.

De praxe já temos os candidatos a deputados federal e estadual que entram na disputa apenas para ser motivo de chacota, no entanto existem os candidatos que não têm essa pretensão e terminam cativando o público com seu senso de humor, o presidenciável Eduardo Jorge iniciou sua campanha sendo apenas mais um e hoje é um fenômeno popular nas redes sociais, suas perguntas e respostas nos debates são tão aguardadas quanto dos três principais candidatos.

O discurso de Dilma na ONU também se enquadra no quesito piadas, pois só possuindo muito senso de humor mesmo para fazer campanha presidencial numa assembleia da ONU, onde o foco era praticamente tentar reverter a atual situação de terror aplicada pelo Estado Islâmico. Já o escândalo da Petrobrás poderia prejudicar a campanha de reeleição da presidenta, principalmente depois da acusação que parte do dinheiro foi destinado para financiar sua campanha em 2010, no entanto a notícia do escândalo coincidiu com o crescimento dela nas pesquisas, isso significa que escândalos em meio a corrida presidencial ajuda né?

O desespero de Aécio após o crescimento fenomenal de Marina no começo da campanha, as derrapadas de Marina em relação ao seu plano de governo, os embates divertidos entre Luciana Genro, aquela do discurso do capitalismo financeiro, e Eduardo Jorge, Dilma defendendo seu apoio à família Sarney e Collor. Tudo isso trouxe um pouco de humor para a disputa.

Na contra mão do discurso da mudança temos as famílias oligárquicas tentando se manter no poder, Helder Barbalho (filho de Jader Barbalho), Edinho Lobão (filho de Edison Lobão e apoiado pela família Sarney) e Renan Filho (filho de Renan Calheiros), respectivamente candidatos ao governo do Pará, Maranhão e Alagoas. A disputa entre deputados também está repleta de herdeiros políticos, aí é pra avacalhar a tal da mudança né?

Estando decepcionado ou não com o nosso atual cenário político, vamos às urnas domingo para decidir o futuro do nosso país. Parece clichê, mas apenas sua revolta interior não irá colaborar, portanto externe essa revolta exercendo seu dever de cidadão e votando contra práticas políticas imundas, votando nos candidatos que lutem pela conscientização, educação e bem-estar da população para que a religião não seja utilizada como via de proposta política.

Vote para erradicar o humor na política, pois devemos analisar propostas e não gargalhar de candidatos despreparados. E o mais importante: ao votar não repare somente no sobrenome dos candidatos, procure saber quem são seus padrinhos políticos, já está mais do que na hora de darmos fim as oligarquias e abrirmos caminho para novas filosofias governarem, colabore para a mudança sair das manifestações, redes sociais, dos discursos e enfim chegar as assembleias, câmaras e palácios do Brasil.
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*Cristiane Lopes é acadêmica de Pedagogia no campus de Bacabal da Universidade Estadual do Maranhão.

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