domingo, 20 de julho de 2014

A eminência de uma nova Guerra Fria através da interferência dos EUA no conflito entre Rússia e Ucrânia - Por Cristiane Lopes*

O conflito entre russos e ucranianos já entrou no seu quinto mês, esse período ficou marcado por vários acontecimentos, como: a saída do presidente ucraniano Viktor Yanukovytch, a anexação do território da Criméia pelos russos e ainda, de acordo com a Organização das Nações Unidas, mais de 400 pessoas morreram devido ao conflito.

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Os EUA, para não perder o costume, resolveram interferir no conflito e na última quarta-feira (16), com o apoio da União Europeia (EU), anunciaram sanções para pressionar o presidente russo, Vladimir Putin, a erradicar os confrontos violentos entre ucranianos e grupos pró-Rússia.

As medidas apresentadas pelos norte-americanos e União Europeia visam atingir importantes empresas de energia russa, portanto a intenção é prejudicar economicamente a Rússia e a partir disso leva-los a anunciar o fim dos conflitos com a Ucrânia.


A atual interferência dos EUA nos remete a época da Guerra Fria, um período iniciado após o fim da Segunda Guerra Mundial que marcou de forma indireta o embate político, ideológico, militar e econômico entre Estados Unidos (bloco capitalista) e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - URSS (bloco socialista) com o intuito de ter em mãos a hegemonia mundial.

Mesmo após o fim da Guerra Fria em 1991, americanos e russos nunca conseguiram usufruir de uma relação harmônica, entretanto primavam pela diplomacia quando era necessário resolver questões que envolviam diretamente seus países.

O fato é que desde 2013 a situação entre os dois países vem se agravando, principalmente pelos últimos acontecimentos: governo norte-americano aprovou uma lei proibindo a entrada no país de russos que estivessem envolvidos em casos de violação aos direitos humanos, em seguida o governo da Rússia proibiu a adoção de crianças russas por norte-americanos e recentemente tivemos o caso Snowden, onde o governo russo aceitou receber um cidadão americano que cedeu informações sigilosas do sistema de espionagem dos EUA.

É impossível não encontrar semelhanças entre a Guerra Fria e a atual tensão entre os dois países, pois até agora não houve enfrentamento militar entre os países, além disso, a única forma utilizada para prejudicar os países são sanções/leis que os desestabilizem no âmbito político e econômico. Outra semelhança marcante são as trocas de farpas explícitas entre Barack Obama e Putin, assim como foi na Guerra Fria com Truman e Stalin.

Em meio a atual situação, durante a Cúpula do Brics em Brasília, Putin criticou as sanções, dizendo que elas levarão as relações entre EUA e Rússia a "um beco sem saída". O presidente russo também alertou que as sanções prejudicarão a economia dos EUA, já que afetarão empresas americanas que atuam na Rússia. Putin não fez menção às possíveis sanções anunciadas pela UE.


Para muitos historiadores a Guerra Fria nunca acabou apenas foi amenizada pela derrota que o sistema socialista sofreu. Aparentemente o ressurgir de uma nova Guerra Fria é eminente, visto que EUA e Rússia continuam rivalizando e alimentando rusgas antigas.

É pouco provável que aconteçam confrontos militares entre os dois países, porém quando falamos de EUA e Rússia automaticamente podemos incluir características como arrogância, intolerância e belicismo. Pois foram e estão acostumados a conseguir vitórias por meio de guerras e imposições.

Como o próprio Putin falou, EUA e Rússia estão se encaminhando para “um beco sem saída”, que no dicionário dos estadistas prepotentes significa: teremos o início ferrenho de um novo embate político, econômico, militar e ideológico, portanto uma nova Guerra Fria.
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*Cristiane Lopes é acadêmica de Pedagogia no campus de Bacabal da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).

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