quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Entrevista com o Frei Ribamar Cardoso

Frei Ribamar Cardoso é um franciscano capuchino, com mestrado em teologia (Pontifica Salesiana de Roma - Itália) e especialista em Logoterapia (resgatar o sentido da vida), fluente em 04 idiomas (poruguês, inglês, espanhou e italiano) filho de São Luis – MA, viveu 04 anos em Roma, serviu como pároco, professor, coordenador e administrador de diversas obras, instituições voltadas para formação e valorização humana. Recebeu diversos prêmios por onde passou. Como em: São Luis, Roma, Belém e Capanema - PA, Macapá, Tutum, Trizidela do Vale, com uma breve passagem por Poção de Pedras e atualmente responde pela coordenação da Paróquia Sant´Ana em Bacabal.

Ele também é conferencista, palestrante e exerce a função pública de Secrétário adjunto de justiça do Estado do Maranhão e lidera os trabalhos da APAC - Associação de Proteção e Assistência aos Condenados em Bacabal (ressocialização de condenados pela justiça). Carismático o competente frei cosntuma citar como mantra em suas falas: “Nada é pequeno onde o Amor é grande”.

Entrevista realizada por Antonio Jakson, editor-chefe do Jornal O Mearim.

JORNAL O MEARIM (JM): O que o motiva para o trabalho que faz junto aos detentos, prisioneiros por onde o senhor passa?
FREI RIBAMAR: A minha vida foi sempre pautada pelo amor ao próximo, a solidariedade. Aos 14 anos de idade ia para a escola em São Luis e via nos semáforos aquelas crianças sem estudar, pedindo qualquer coisa e eu chegava na escola não consegui estudar direiro porque lembrava que tinha crinças que não tinham a oportunidade que eu estava tendo para ter um futuro melhor. Ai eu criei um grupo para ajudar essas crianças a sairem da rua, começamos esse trabalho na catedral, onde jogávamos bola com essas crianças na terça e na quinta-feira era o diálogo, conseguimos tirar muitas crianças da rua. Dai, nasceu esse sentimento de amor e solidariedade. Eu não consigo perceber e ver o outro sofrer e ficar de mãos atadas sem nada poder fazer. Eu não mim tornei padre só para o altar, para mim o sacrificio não estar só no altar, o altar é o coroamento, a síntese de todo o sacrificio de Cristo, mas é também é sacrificio daquele que estar na pessoa de Cristo (persona Christi), quando ele estar no altar não é mais ele, é Cristo que se faz presente. A missão do sarcerdote é ser o bom pastor, que estar em João capítulo 10, aquel que dar a vida pelas suas ovelhas, aquele que conhece, que ama, aquele que vai em busca da ovelha perdida, que não se cansa de fazer o bem.

JORNAL O MEARIM (JM): Como anda este trabalho aqui em Bacabal?
FREI RIBAMAR: O trabalhoapenas começou, a unidade prisional foi recém inaugurada, temos a nossa asociação onde temos uma fiel enganjada como presidente Dona Guilhermina Aguiar. Não é fácil, dentro do sistema prisional há muitas pessoas que não acreditam na ressocialização do condenado, acha que o preso deve sofrer, acha que ele deve realmente ficar longe de todas as assistências que lhes são garantidas pela lei de excecurção penal no Artigo 11, que determina que o preso perdeu o único direito que foi o de ir e vir, mas não perdeu o direito a vida, a receber as assitências religiosas, educação, saúde, juridica, enfim.

JORNAL O MEARIM (JM): Que avaliação o senhor faz do festejo realizado recente em sua paróquia, que por sinal foi muito participativo, organizado e alegre?
FREI RIBAMAR: Superou as espctativas, Deus age nas pessoas. Vejo que foi positivo, os frutos deste festejo foram bastantes, a participação religiosa foi de grande valia, pois ajudou e animou a vida de muita gente. A parte cultura e social ajudou a pagar todas as dívidas que a paróquia tinha, já não estamos mais no vermelho. O festejo foi uma soma de esforços de todas as pessoas que tem fé e fazem parte desta paróquia e de bom coração.

JORNAL O MEARIM (JM): Por que a igreja católica perde cada vez mais fieis para igrejas evangélicas?
FREI RIBAMAR: Hoje vivemos num mundo em que a secularização é cada vez maior, há uma trídedi cada vez mais atrativa para a sociedade, para o mundo, a do Ter, Poder e do Prazer. Então as pessoas então buscando o sucesso, a auto-afirmação, aos poucos vão descartando o sentido pleno da vida que é Deus e a igreja católica tem um número reduzido de sarcerdotes para atender muita gente, onde as igrejas evangélicas são muitas, em cada canto vai se criando uma, outra e mais outra, onde são igrejas pequenas, onde o pastor conhece todo mundo ali e tem condições de cuidar e prestar assistência maior a todos de forma mais fácil, ali. Enquanto nossa igreja tem um sarcerdote para mais de sei lá quantas mil familias e no mais nossa igreja deve cada vez mais despertar que a a igreja deve ser a casa da aconhida, do amor, do perdão, da vivência da fé, portanto quanto mais a igreja viver desta forma se tornará testemunho de Cristo.

JORNAL O MEARIM (JM): A renovação carismática católica (RCC) é uma solução para manter a igreja católica sem a baixa no número de fieis?
FREI RIBAMAR: Não digo que é uma solução, mas a RCC é de uma certa forma diante do processo de secularização que vive nossa sociedade, contribui de forma boa para manter nosso fieis, uma vez que esta com sua metodologia resgata as pessoas e as anima na fé, vai em busca dos fieis. Por meio de seus pilares, que são justamente da obediência, da santidade, que não só da renovação, mas de toda igreja que deve orientar que todo cristão deve primar pela vida em santidade. E a renovação com sua espiritualidade, cantos, liturgia participativa, animada, que envolve os fieis e sua realidade existencial.

JORNAL O MEARIM (JM): Recentemente o bispo americano que encobriu casos de pedofilia em área sobre sua coordenação foi punido, preso. Esse deve ser o caminho para conter estes casos e demais?
FREI RIBAMAR: Todo crime não deve ter privilégio, sendo a pedofilia um crime a pessoa que a pratica deve responder criminalmente por seus atos. Independenet de ser um padre ou não, ser qualquer outra pessas deve cumprir como qualquer outro cidadão.

JORNAL O MEARIM (JM): O senhor é a favor da liberação legal da maconha? Do aborto?
FREI RIBAMAR: Não! Vejo que vivemos numa sociedade em que a questão dos limites, da ética, da moral estar cada vez mais distantes do controle das familias. A familia tem dificuldade de educar seus filhos, de cuidar de seus filhos, de ter o controle de suas vidas. A nossa sociedade não estar preparada e liberando, o consumo será maior e sabemos que a maconha é viciante, torna as pessas dependentes e assim sendo elas perdem o controle de seus atos, pois modifica o comportamento e o psicológico da pessoa. Começa com a maconha e vai usar outras drogas bem mais fortes. Então eu vejo que essa liberação não é conveniente. E depois o aborto é contrário a todo o projeto de Deus, porque o próprio Jesus veio para a vida e vida de todos em abundância, então é um crime e bastante forte pois se trata de pessoas indefesas, o que devemos fazer é uma educação geral, tentar passar para nossa sociedade valores que dignificam, valores como da ética, da familia, da igreja, de Deus… Então esses valores devem ser resgatados. Uma vez que a familia vai bem a sociedade também vai bem.

JORNAL O MEARIM (JM): O senhor aposta no ecumenismo?
FREI RIBAMAR: Acredito muito, e nossa igreja católica a partir do Vaticano II, fala em seu documento faa muito bem do ecumenismo. Entao a igreja estar aberta para o diálogo, não pode se fechar em sua doutrina, em seu mundo. Ela tem sua identidade, siua historicidade, mas é aberta ao diálogo, pois a igreja estar a serviço da humanidade, da informação, da educação… E o ecumenismo é o melhor caminho para se poder fazer o bem de toda a sociedade.

JORNAL O MEARIM (JM): O que o senhor acha da Lei de Ficha Limpa? E como ver da aplicação desta nas última eleições?
FREI RIBAMAR: É uma lei que se for aplicada na íntegra será de grande valia para a sociedade, porque teremos politicos preocupados em fazer falcatruas como antes, pensarão duas três vezes antes, certamente. Porém, como visto não foi nestas eleições ainda assim visto, mas que já se teve um avanço e isso é bom e deve continuar, uma vitória da sociedade!

Frei Ribamar Cardoso (Foto: Antonio Jakson)
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