sábado, 18 de agosto de 2012

Inquérito da morte de Décio Sá é entregue à Justiça do Maranhão

A Polícia Civil entregou ontem (dia 17) à Justiça estadual o inquérito da investigação do assassinato do jornalista Décio Sá. Com 1.970 páginas, distribuídas em 31 volumes, toda a documentação foi encaminhada a 1ª Vara do Tribunal do Júri, no Fórum Desembargador Sarney Costa, no Calhau, pela comissão de delegados que trabalhou no caso. A polícia revelou que 13 pessoas foram indiciadas pelo morte do jornalista mas somente nove nomes foram revelados. Três dos indiciados estão foragidos.

Segundo a delegada-geral da Polícia Civil, Maria Cristina Meneses, que entregou o inquérito à Justiça estadual. “Trata-se de um inquérito emblemático para a polícia maranhense, não porque tenha sido mais importante que os demais ainda em andamento, mas porque marcou uma nova maneira de trabalho da Polícia Civil. Hoje, temos profissionais que não se dobram para o dinheiro, aos poderosos, à politicagem, e por isso conseguimos passar pelos muros que antes comprometiam os trabalhos de investigação”, disse Meneses.

Além dos volumes, a comissão investigadora entregou ao Poder Judiciário todo o material apreendido durante a Operação Detonando, realizada no dia 13 de junho, em São Luís e no interior do estado, e que resultou na prisão de seis pessoas, entre os suspeitos de serem os mandantes, executores e intermediadores da morte de Décio Sá. Foram apresentados à Justiça documentos diversos, aparelhos celulares, CPUs e os 37 talonários de cheques em branco, porém assinados por vários gestores de prefeituras municipais, recolhidos em poder dos líderes da quadrilha.

Segundo explicou o delegado Guilherme Sousa Filho, um dos integrantes da comissão investigadora, o material que é comumente chamado entre os investigadores de “provas emprestadas” será devolvido já na segunda-feira (dia 20), quando de fato será aberto o inquérito sobre crimes de agiotagem, no estado, cujo presidente será o delegado Maymone Barros. Por causa da ligação entre os inquéritos, apenas os nomes dos presos, suspeitos de participação na morte de Décio Sá, foram confirmados na lista dos 13 indiciados pela Polícia Civil, no inquérito.

O principal deles é o pistoleiro Jhonatan de Sousa Silva, de 24 anos, que confessou ter efetuado os cinco tiros de pistola calibre ponto 40 contra o jornalista da editoria de Política de O Estado, acertando três disparos na cabeça do blogueiro. Na sequência, estão indiciados os empresários agiotas Gláucio Alencar Pontes Carvalho, de 34 anos, acusado de faturar principalmente no desvio de verbas estaduais e federais destinados a distribuição de merenda escolar a prefeituras; e o pai dele, José de Alencar Miranda Carvalho, de 72 anos, com quem estavam os cheques.

Ambos, de acordo com o que apurou a polícia, ofereceram R$ 100 mil pela morte de Décio Sá, pois teriam ficado receosos com publicações feitas pela vítima em seu blog que relacionaram o assassinato do empresário Fábio dos Santos Brasil Filho, o Fábio Brasil, de 33 anos – crime ocorrido no dia 31 de março, na cidade de Teresina-PI -, a um grupo de agiotas estabelecido no Maranhão. Para a execução do crime, ainda conforme a polícia, os líderes da quadrilha acionaram alguns de seus agenciadores, até a contratação do matador.

Fizeram esse trabalho os empresários José Raimundo Sales Chaves Júnior, o Júnior Bolinha, de 38 anos; Fábio Aurélio do Lago e Silva, o Buchecha, de 32 anos, presos na ação policial, e Shirliano Graciano de Oliveira, o Balão, de 27 anos, que não foi encontrado em seu endereço, na cidade de Santa Inês, e continua foragido. Também tiveram prisões decretadas, mas continuam foragidos Elker Farias Veloso, o Diego, de 26 anos, piloto de fuga do executor, e o homem conhecido apenas como Neguinho, que teria apresentado o paraense ao bando. A sexta pessoa presa e indiciada no inquérito foi o subcomandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

Amizade – O capitão Fábio Aurélio Saraiva Silva, de 36 anos, segundo a polícia, teve o seu nome citado pelo executor do crime como a pessoa que teria fornecido a arma do crime. Além da denúncia, o oficial da PM teve prisão decretada porque, conforme alegou a polícia, coincidentemente ou não, admitiu ser “amigo de infância” de Júnior Bolinha. Com a entrega do inquérito concluído, todos deverão ser denunciados ao Ministério Público Estadual, a partir da abertura de vista do inquérito, a ser feito pela juíza Ariane Pinheiro, titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri.

“A partir daí, o Ministério Público terá cinco dias para oferecer a denúncia dos indiciados. Todos passarão à condição de réus e cada um terá 10 dias para apresentar suas defesas preliminares. Adiante virá a instrução processual, passando pela sentença de pronúncia, até que os indiciados sejam levados a júri popular”, explicou o delegado Guilherme Sousa Filho, que também falou sobre a situação do deputado estadual Raimundo Cutrim (PSD), citado em depoimento pelo próprio executor como suposto “principal mandante” do crime.

“No relatório de 116 páginas, que entregamos junto com os volumes, produzimos um item que se refere ao que chamamos de ‘incidente de foro privilegiado’, que será enviado ao Tribunal de Justiça pela juíza responsável pelo caso. Somente após esse processo poderá ser dada a autorização para a investigação propriamente dita do deputado estadual. Esta parte do inquérito, porém, pode ser feita pelo próprio Poder Judiciário, que também pode designar a Polícia Civil para continuar os trabalhos. Cabe à Justiça decidir”, lembrou o delegado da comissão.

Os envolvidos no crime

1 – Jhonatan de Sousa Silva, de 24 anos, foi o autor dos disparos que mataram o jornalista Décio Sá na noite do dia 23 de abril. Ele é natural da cidade de Xinguara, no Pará. O criminoso foi preso no dia 5 de junho, em uma chácara no bairro Miritiua, no município de São José de Ribamar, por tráfico de drogas. Com ele, os agentes da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) encontraram 10 kg de crack e armas de uso restrito da polícia.

2 – José de Alencar Miranda Carvalho (o Miranda), de 72 anos, foi preso na madrugada de dia 13 de junho durante a Operação Detonando. Ele é um agiota (pessoa que empresta dinheiro para outras pessoas fora do mercado de crédito a taxas de juros elevadas e sem autorização para isso) e teria encomendado a morte do jornalista por R$ 100 mil.

3 – Gláucio Alencar Pontes Carvalho, de 34 anos, é filho de José de Alencar Miranda. Ele e o pai são empresários do ramo de merenda escolar e forneciam o alimento para prefeituras do Maranhão, Pará e Piauí e também foi indiciado com o mandante do crime.

4 – José Raimundo Sales Chaves Júnior (o Júnior Bolinha), de 38 anos, é empresário do ramo de automóveis e representante comercial de bebidas no município de Santa Inês. Segundo as investigações da polícia, Júnior Bolinha fez o papel de intermediador entre o assassino, Jhonatan de Sousa, e os mandantes do crime, José de Alencar Miranda e Gláucio Alencar.

5 – Fábio Aurélio Saraiva Silva, o Capitão Fábio, como ele é conhecido na Policia Militar, corporação onde atua há aproximadamente 18 anos, é subcomandante do Batalhão de Choque da PM. As investigações apontam que a arma utilizada para a execução do jornalista (uma pistola ponto 40 de uso restrito) teria partido dele.

6 – Fábio Aurélio do Lago e Silva, o Buchecha, tem 32 anos e foi preso na madrugada de ontem na Chácara Brasil, no Turu. Ele é um dos assessores de José Raimundo Sales, o Júnior Bolinha, e foi preso, pois sabia de todo o esquema que resultou na execução de Décio Sá.
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Com informações da Secom e de O Estado do Maranhão
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