quarta-feira, 17 de agosto de 2011

No tempo de política em Lago do Junco (MA), de quem são as vacas gordas? - Por Antonio Marcos*

Caro leitor, não é minha intenção aqui expor um artigo científico sobre Filosofia Política ou Ciência Política, mas pautar um necessário e breve comentário, que está alem do conhecimento do senso comum e na proximidade da teoria do conhecimento sociológico, sobre a situação precária que se encontra nossas instituições políticas nos últimos anos.

Estamos a pouco mais de um ano para as eleições municipais de 2012 e a elite oligárquica da política brasileira já está na acirrada e injusta estratégica política por busca de apoio político nas suas bases eleitorais. A verdade é que mal saímos de uma contundente campanha eleitoral e já estamos observando os primeiros movimentos dados por partidos e atores políticos com os olhos voltados para as próximas eleições municipais.

Aqui no Maranhão infelizmente não poderia ser diferente. É fato que os reacionários políticos do nosso estado como as oligarquias municipais, lideranças comunitárias e movimentos sociais foram mais ousados, visto que, anteciparam a campanha eleitoral de 2012 para agosto de 2010, momento em que ocorreram as campanhas das eleições nacionais. Basta você observar as características perversas sujas e alienantes da campanha passada, e os fatos que vem ocorrendo no cenário político maranhense que virá entender a lógica dessa politicagem, se assim me permite denominá-la.

Para descrever e explicar melhor como isso ocorre sirvo-me de algumas expressões que com certeza você já deve ter ouvido em algum lugar, mas com um tempo e contexto específico. São as seguintes: é tempo de política... Já é tempo de política, eles estão chegando... Eles voltam no tempo de política... Ele precisa de mim no tempo de política... etc. Pois bem, esses termos não são nem um pouco raros no palavreado político cultural do povo brasileiro. E significam exatamente o auge da campanha eleitoral caracterizado pelas trocas de favores políticos através das custosas e financeiras campanhas. Só que esse tempo de política está passando por uma pequena metamorfose relativa, tanto para o ponto de vista do representante político ou candidato como para o eleitorado, e o auge dessa transformação foi nessas últimas eleições.

Para boa parte dos que dominam a maquina política partidária, o tempo de política é bem mais amplo e prolongado. Para eles é tempo de estratégica meramente eleitoreira com subordinação da cidadania dos eleitores, alianças eleitorais infundadas, convenções partidárias, infidelidade partidária, ou seja, é uma preconização descabida da política partidária, tudo isso com o sentido de maximização do lucro e do poder político e econômico com a suspensão da ética que deviria está na essência da política.

Por outro lado, para a maioria significativa dos eleitores esse tempo de política infelizmente ainda é específico e restrito no tempo e no espaço. Para os mesmos ainda é tempo de toma-lá-dá-cá ou como diz antropólogo Marcel Mauss é tempo de dádiva política pela aquisição de favores individuas e eleitoreiros.


Pois bem, caros leitores, aqui em Lago do Junco como uma das unidades distrital oligárquica e patriarcal do estado do Maranhão é visível a reprodução dessas características que contribuem para mazelar a imagem da política estadual e brasileira. Aqui, para a maioria dos eleitores o tempo de política, nesse momento, ainda não chegou, mas por outro lado já foi sinalizada pelos Deuses do poder legislativo e executivo local. Neste município existe uma característica à parte. A louvação e legitimação violenta do tempo de política são propagadas pelos anjos porta-vozes do poder legislativo e executivo como as escolas, sindicatos, associações, ONGs e outros movimentos sociais que almejam ascensão ao “trono sagrado” do poder local.

Com isso, estamos perto de presenciar em Lago do Junco, por parte do eleitorado, o tempo de política que tem tempo certo da largada inicial que será exatamente em junho de 2012. Mas como já mencionei o tempo de política para os políticos juncoenses já teve o ponta-pé inicial, que foi a campanha eleitoral de 2010 e que se intensificou internamente quando o poder legislativo municipal indicou irracionalmente um representante político reacionário como presidente da casa legislativa desse município. Esse é só um fato a parte dessa patriarcal e reacionária política juncoense que está nas mãos tanto da situação quanto da oposição, se é que existe oposição, posto que todos os personagens e entidades atuantes nas campanhas políticas eleitorais de Lago do Junco compactuam direta ou indiretamente com os benefícios eleitoreiros desse tempo de política.

Já para a maioria dos eleitores, esse momento de estratégicas internas dos políticos e pré-candidatos tem pouca significância, o que interessa para os mesmos é o momento da dádiva política eleitoreira que se inicia em junho do próximo ano. É nesse momento que os Deuses descem do trono profano com seus anjos com toda estratégica planejada e montada e irão fazer o seu rito de passagem de sacralização no inconsciente do eleitor juncoense através da via do discurso socialista e democrático dos movimentos sociais desse município. No entanto, acima ou anterior a esses meros discursos socialistas estão as praticas perversas. Nesse momento os políticos dão uma de “papai Noel”, e na calada da noite saem efetuando distribuições de “presentes” aos pequeninos de valor econômico- pobres eleitores-. Mas isso pode? Legalmente não poderia acontecer, mas é tempo de política em Lago do Junco, é período natalino em pleno mês de junho a outubro, e além do mais, a Justiça Eleitoral está com uma venda nos olhos. Então, tudo é possível e “legal”.

Outra certeza que temos diz respeito ao consenso para com o tempo de política. É que nem os políticos nem os eleitores juncoense estão certos de que o momento da chegada desse período seja um momento de confraternização e facilidade na campanha eleitoral. Muito pelo contrário, como quase toda campanha política será marcada pela divisão ideológica, a divisão politiqueira juncoense supera as vertentes ideológicas partidárias invadindo até mesmos os laços familiares do eleitorado. Lembro-vos que isso não é características de uma oposição política ideológica, e sim a ambiciosa lógica financeira de quem por um lado dá mais, e por outro, a disputa de quem vai ganhar os matérias eleitoreiros de “subsistência” que mais lhe convém naquele momento. O menos pior desse fenômeno é que o mesmo é só um rito de passagem e assim finalizando, se espera que tudo volte logo ao “normal”. Será? E o que é normal e anormal na política juncoense?

Outra coisa que é consenso nesse dito tempo de política juncoense é a troca de favores e beneficiamento pela maximização do “lucro”. Nesse período o dono do pau-de-arara ganha com os transportes dos eleitores, os donos dos sindicatos lucram com a quitação financeira de seus filiados, as construtoras ganham com venda de materiais de construção, os clubes de futebol economizam com aquisição de vestuário e materiais esportivos dos times, o donos ou empresários das bandas musicais ganham com seus shows, que nos fazem lembrar a velha política romana de pão e circo, o padeiro ganha com a venda do pão nosso de cada dia, o dono do posto superfatura com a venda de combustível, etc. Por fim nesse tempo de política como um rito de passagem, que tende a ser cada vez mais durável e politiqueiro, os políticos ganham o maior e que deveria ser o mais respeitado, o poder, ou retornam ao trono ficando a espera de mais um tempo de política.

Pois bem, com uma coisa podemos concordar. O tempo de política em Lago do Junco é de múltiplas faces, mas não vou aqui pontuar todas, apenas duas. Por um lado para os eleitores é tempo das vacas gordas em período de secas. Por outro lado, para os políticos oligárquicos de nosso município é tempo de maximização do poder político e econômico por cima da pobreza e do analfabetismo que assolam este município.

Você deve está se perguntando se esse fenômeno só acontece em Lago do Junco. A resposta é não. É uma anomalia política de caráter nacional, onde o analfabetismo infelizmente ainda atinge a casa dos 16 milhões de brasileiros e que tem como conseqüência o desconhecimento por parte dos eleitores do que realmente seja a política brasileira. É essa ignorância que infelizmente justifica a existência desse tempo de política dando lugar a politicagem corrupta que contamina nossas instituições sociais.

A questão é que em Lago do Junco essa anomalia do tempo de política tem data e personagem certa da sua encenação. Aqui a lei que deveria proibir a distribuição de materiais e favores por candidatos em período de campanhas- que caracteriza o tempo de política- ainda não vigora ou então a Justiça Eleitoral faz vista grossa. Neste município o eleitor não sabe se o candidato é de um partido ou de uma ONG ou sindicato, assim não fica sabendo em quem votou, mas isso pouco interessa para ele. Pois é, esses são os famosos personagens do cruel tempo de política da pequena cidade de Lago do Junco: partidos, ONGs, latifundiários, candidatos, empresários, voluntários solidários que só aparecem nesse momento camuflados na pele de cordeiro ou como Deuses das causas nobres.

Ideologia política partidária, competência administrativa, esquerda, direita, rural e urbano, perfil do político candidato, isso tem pouca ou nenhuma importância para a maioria do eleitorado juncoense no dito tempo de política. Por isso, continuo a dizer que o tempo de política só existe no espaço do desconhecimento, e que aqui em Lago do Junco vai alem da ignorância da maioria dos eleitores, pois esse fenômeno cruel está sempre associado ao poder econômico de grupos corporativistas desse município.

Infelizmente começaremos a ouvir corriqueiramente as expressões relacionadas ao tempo de política até outubro de 2012. Só que muitas coisas ainda vão ocorrer e mudar no cenário político juncoense. O que parece que não vai mudar é a esperança que está na mentalidade da maioria dos eleitores sobre os benefícios imediatos que o tempo de política local pode lhes oferecer.

Agora as vaquinhas dos eleitores estão magras, mas as promessas do tempo de política de Lago do Junco as mantêm vivas até chegar o tempo da fartura eleitoreira do período da campanha. E logo, logo começarão a se alimentar, umas mais que outras. É esse o famoso período das vacas gordas, é o tempo de política juncoense que a todo o momento é esperado ansiosamente e enfatizado pela maioria dos eleitores. E o pior, que alem de ser um rito de passagem envolvido em um caráter festivo com discursos demagógicos e eleitoreiros, é legitimado pelos os mesmos que praticam essa verborreia reacionária como os partidos políticos, lideranças comunitárias, ONGs, cooperativas, empresários e sindicatos. Para esses, suas vaconas estão sempre gordas, não há período de seca, seus cargos, status e privilégios politiqueiros mantém sempre irrigadas suas graminhas verdes financeiras para alimentar seu clã ou seu rebanho local.
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*Antonio Marcos P. Santos- Estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal do Maranhão - UFMA..


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