sábado, 9 de julho de 2011

Estilista desenvolve roupas personalizadas para mortos

Ao vestir seu avô amado para o funeral, Pia Interlandi, uma jovem estilista australiana, descobriu sua vocação: desenhar roupas personalizadas para os mortos.

"Eu estava dando o laço no cadarço de seus sapatos quando me perguntei: mas onde ele vai andar? Não precisa de sapatos, relembra, tranquilamente, a jovem mulher de 26 anos, vestida de preto.

Esta experiência levou-a a imaginar "mortalhas", de seda e linho, envolvendo o corpo e a cabeça dos mortos, como forma de, espera ela, oferecer conforto a eles para a última viagem.

Quando ela conta que desenha roupas para os mortos, as pessoas imaginam, com frequência, que se trata de tentativas de disfarces exagerados.

"Não é nada disto. Levo em consideração as obrigatoriedades de vestimentas destinadas aos que vão ser enterrados", diz.

"As relacionadas ao meio ambiente são fundamentais: não se deve poluir a terra com plásticos. É preciso, também, ter certeza de que o tecido escolhido é belo e conveniente à pessoa morta".

Antes de decidir estudar moda, Pia Interlandi trabalhou um tempo com ergoterapia, onde descobriu diferentes tipos de materiais de moldagem, como o plástico usado para cobrir a epiderme de pessoas severamente queimadas. Ela chegou mesmo a fabricar uma roupa com este material.


Sua atração pela morte, enquanto um período de transformação, levou-a a trabalhar com fibras biodegradáveis, de aparência sólida mas que se se decompõem junto com o corpo.


O hábito na Austrália de enterrar as mulheres com belos tailleurs e os homens, com ternos, algumas vezes de chinelos, a deixava pouco a vontade.

"A ideia de enterrar alguém com uma roupa confeccionada em poliéster, que vai perdurar, após a decomposição do corpo, me incomodava. No final das contas, você termina como um esqueleto vestido em roupa de poliéster", comenta Pia Interlandi.

Ela realizou longas pesquisas sobre tecidos, chegando até a enterrar 20 cadáveres de porcos vestidos com suas criações, a fim de testar a degradação dos materiais. Depois de um ano, ela os desenterrou, progressivamente, observando o comportamento dos tecidos e do animal.

Ela gostaria de expor suas criações, mas sabe das dificuldades para obter autorizações.
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Referência: Portal G1.


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