quinta-feira, 14 de abril de 2011

Professores do MA em greve fecham BR 135 e enterram a governadora Roseana Sarney

Em campanha por educação de qualidade no Maranhão, mais de 500 educadores da rede pública estadual pararam o trânsito na BR 135, estrada que dá acesso a São Luís, na manhã desta quinta-feira (14), um ato de protesto com o objetivo de chamar a atenção da sociedade para a situação de caos que se encontra a rede estadual de ensino.

Os profissionais de educação do estado estão em greve desde o dia primeiro de março deste ano, cobrando do governo o cumprimento do piso salarial da categoria e a aprovação e implantação do Estatuto do Educador, que garante o plano de carreira dos educadores, além de outras reivindicações.

Vieram educadores de municípios de todas as regiões do Maranhão participar do protesto organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (SINPROESEMMA). Por mais de uma hora, os manifestantes interditaram os dois sentidos da BR, no quilômetro 30, em Campo de Perizes, e fizeram uma grande passeata até a Estiva, passando pela ponte que dá acesso à ilha.

ENTERRO DA GOVERNADORA ROSEANA SARNEY


O enterro simbólico da governadora Roseana Sarney, com direito a cortejo fúnebre pelas ruas do Centro de São Luís, foi a demonstração do sentimento de revolta dos trabalhadores da educação com a postura do executivo estadual com relação à educação e ao tratamento dispensado aos educadores, em greve há mais de quarenta dias, reivindicando a implantação do Estatuto do Educador , além do piso salarial, previsto em Lei.

“Esse enterro simboliza o enterro de todas as políticas do governo que prejudicam a educação e os trabalhadores”, disse o presidente do sindicato, Júlio Pinheiro, que ajudou a carregar o caixão onde os educadores colocaram, simbolicamente, a governadora.

O protesto dos professores teve início na Praça Deodoro, onde vários trabalhadores usaram a palavra para denunciar à população os problemas que os educadores enfrentam no dia-a-dia na rede estadual de educação e a falta de compromisso do governo em garantir melhorias salariais que valorizam a carreira do professor, como o piso salarial e o Estatuto do Educador.

Uma grande passeata, simbolizando o cortejo fúnebre para o enterro da governadora, seguiu pela Beira Mar até o Palácio dos Leões, onde os educadores realizaram várias formas de protesto, como velas acesas ao redor do caixão, ritual religioso de sepultamento e a leitura de um testamento, no qual a governadora deixa para os alunos escolas em condições precárias, falta de espaços para o esporte, laboratórios de química e de informática que não funcionam, falta de professores e aprendizagem precária, com professores dando aulas de disciplinas para as quais não estão habilitados.

Para o educador, de acordo com o testamento, a governadora deixa um Estatuto sem assinatura e um piso salarial abaixo do chão.

ATO PÚBLICO NO COLÉGIO CINTRA

No final da manifestação, o SINPROESEMMA convocou todos os educadores para um grande ato público nesta sexta-feira (15), às 7h30. O Cintra é uma das escolas onde os professores denunciam que está havendo coação para que os trabalhadores retornem às aulas, mesmo sem resposta do governo para as reivindicações da categoria.

GOVERNO DO MARANHÃO SE NEGA A REUNIR-SE COM DEPUTADOS E EDUCADORES

O encaminhamento tirado na reunião realizada nesta terça-feira (12) entre deputados da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa e trabalhadores da educação, onde ficou decidido que a Comissão reuniria com a secretária de Estado de Educação, Olga Simão, para tratar sobre as reivindicações dos educadores, se resumiu a uma reunião entre os deputados da base governista e representantes do governo.

Parte da Comissão, os deputados Luciano Leitoa (PSB) e Bira do Pindaré (PT) se recusaram a participar da reunião porque defendem a necessidade de participação também de representantes dos trabalhadores, no diálogo com o governo, haja vista que a pauta em discussão seria o pleito dos educadores.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Básica (SINPROESEMMA), Júlio Pinheiro, o argumento do presidente da Comissão de Educação, César Pires (DEM), é de que o governo não teria aceitado a presença dos trabalhadores na reunião.

“Não entendemos o receio do governo em discutir a nossa pauta conosco e com o intermédio dos parlamentares. A secretária Olga Simão se negou a participar de audiência pública na Assembleia, quando foi convocada pela Casa para prestar informações sobre as reivindicaçãoes dos trabalhadores e agora o governo se nega a aceitar a nossa presença em uma reunião que trataria de nossos interesses. E assim ainda diz que quer dialogar, negando o acesso dos trabalhadores às discussões sobre a greve”, avaliou o presidente do sindicato, Júlio Pinheiro.

Além dos deputados César Pires, Luciano Leitoa e Bira do Pindaré, fazem parte da Comissão de Educação da Assembleia, os deputados André Fufuca (PSDB), Roberto Costa (PMDB) e Manoel Ribeiro (PTB).

Debate sobre a educação pública

A TV Assembleia realizou nesta quarta-feira (13) um debate ao vivo com a participação dos deputados César Pires (DEM) e Bira do Pindaré (PT), sobre a educação do Maranhão, com destaque central para a greve dos professores e as tentativas de parlamentares em intermediar uma solução para o impasse.

O deputado Bira do Pindaré, mais uma vez, manifestou que a oposição apóia a greve dos professores e que a questão salarial é fundamental para que haja um ensino de qualidade no estado. Ele enfatizou que os professores precisam voltar às salas de aula motivados e que uma greve fracassada ocasionará reflexos negativos na educação, e defendeu uma solução honrosa para a questão.

Bira ressaltou também que o Maranhão possui uma das piores avaliações do Ideb (Índice do Desenvolvimento da Educação Básica) e que esse índice melhora com uma remuneração digna aos professores. O parlamentar ressaltou que, em nível federal, já há avanços na educação com a ampliação dos Centros Tecnológicos, mas lamentou que no Maranhão a luta ainda é o combate ao analfabetismo.
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Referência: SINPROESEMMA.


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